Lagos de Furnas: Presidente de Furnas pede 'desculpas' e anuncia medidas para tentar amenizar crise hídrica em reservatório

Crise Hídrica nos Lagos de Furnas

Por Jornalista Alair de Almeida, Editor e Diretor do Jornal Região Sul em 17/09/2021 às 15:30:09
Igreja Matriz de São José e N S das Dores de Alfenas

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"Eu gostaria, portanto, de pedir desculpas, pela falta de empatia, pela falta de atenção e trazer uma palavra de conforto e mais atenção e mais empatia será dada à região", disse Clóvis Torres durante o encontro.

Encontro entre prefeitos e representantes de Furnas discute crise hídrica no lago no Sul de Minas — Foto: Déborah Morato / EPTV

Encontro entre prefeitos e representantes de Furnas discute crise hídrica no lago no Sul de Minas — Foto: Déborah Morato / EPTV

O encontro, realizado em Alfenas (MG), reuniu mais de 50 prefeitos da região, além de representantes de Furnas e outras autoridades. Considerado um dos principais reservatórios do país, o Lago de Furnas regula outras 12 barragens e banha 34 cidades, 29 delas que ficam no Sul de Minas, que está sofrendo a pior seca dos últimos 20 anos, causando sérios

Entre as medidas anunciadas pelo presidente da empresa está a construção de diques em alguns municípios, a revitalização de nascentes, a reabertura do escritório da empresa em Minas Gerais e a renovação das balsas que fazem o transporte de moradores de cidades banhadas pelo lago.

O presidente da empresa também falou sobre a intenção da realização de projetos de apoio ao setor agrícola e a pescadores que dependem do lago em parceria com a Alagoa, a Associação dos Municípios do Entorno do Lago de Furnas. Durante o encontro, prefeitos da região também levaram demandas, como por exemplo, a resolução do problema do despejo de resíduos sólidos no lago.

Imagem de março de 2017 mostra a Hidrelétrica de Furnas; na época, o volume útil do reservatório era de 44,95% — Foto: Furnas Centrais elétricas / Divulgação

IImagem de março de 2017 mostra a Hidrelétrica de Furnas; na época, o volume útil do reservatório era de 44,95% — Foto: Furnas Centrais elétricas / Divulgação

A questão do baixo nível da Represa de Furnas não envolve só a preocupação com a geração de energia elétrica, mas também o uso da água do reservatório para a exploração do turismo e outras atividades econômicas.

Em dezembro de 2020, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou a Proposta de Emenda à Constituição, que instituiu o tombamento dos lagos de Furnas e de Peixotos, que abastece a Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes, como patrimônios imateriais do estado.

O objetivo é que as cotas mínimas do nível das águas sejam estabelecidas e respeitadas, sendo 762 metros para Furnas e 663 metros para a Represa Mascarenhas, mais conhecida como Lago do Peixoto.

Imagens mostram antes e depois da seca no Lago de Furnas — Foto: Arquivo Pousada do Porto / EPTV

Imagens mostram antes e depois da seca no Lago de Furnas — Foto: Arquivo Pousada do Porto / EPTV


Com o atual volume útil, Furnas está hoje com uma cota de 754 metros acima do nível do mar, oito metros abaixo do que é considerado aceitável para a exploração do turismo e outras atividades.


Em junho deste ano, o G1 mostrou que a baixa do lago fez o reservatório virar praticamente um pasto na maioria das cidades da região. Na época, o volume útil do lago era de 37%, mais do que o dobro do nível atual.


O Sistema Nacional de Meteorologia emitiu alerta na época prevendo que as chuvas deveriam ficar na média ou abaixo dela até novembro e sem previsão de conseguir manter o nível dos reservatórios do país.

Área em São José da Barra, onde represa e hidrelétrica foram construídas — Foto: Acervo Furnas

Área em São José da Barra, onde represa e hidrelétrica foram construídas — Foto: Acervo Furnas

Pior nível dos


últimos 20 anos

Depois de fechar o mês passado com 17,22% de seu volume útil, o pior nível para um mês de agosto em 20 anos, o nível do Lago de Furnas caiu ainda mais na primeira quinzena de setembro e atualmente está em 15,16%.

Considerada a maior caixa d'água do Brasil, o lago artificial de Furnas foi criado na década de 1950 para abastecer a Usina Hidrelétrica de Furnas, até hoje uma das mais importantes para a geração de energia elétrica do país.

Na época, várias cidades do Sul de Minas foram inundadas e a população precisou ser deslocada. Até hoje, quando a água baixa, é possível reviver o passado e ver ruínas de construções antigas que foram cobertas pela água.


Fonte: G1 Sul de Minas, ALAGO, Furnas

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