Covid-19: 5 n√ļmeros que refletem avan√ßo da vacina√ß√£o no Brasil

Brasil tem vacinação acima de 70% da população, mas cuidados precisam continuar...

Por Jornalista Alair de Almeida, Editor e Diretor do Jornal Região Sul em 19/10/2021 às 10:43:52

Covid:

5 números

que refletem

avanço da

vacinação

no Brasil


Homem com camisa da seleção brasileira recebe vacina no braço
Brasil j√° ultrapassou EUA na percentagem de cidad√£os com a primeira dose da vacina que protege contra a covid-19
  • Brasil avan√ßa na vacina√ß√£o e apresenta diminui√ß√£o de índices da pandemia

  • Ritmo de vacina√ß√£o do país est√° a frente dos EUA mesmo com um primeiro semestre marcado por falta de doses disponíveis

  • Ainda assim, país tem média de 11 mil casos di√°rios de Covid-19

O Brasil ultrapassou na quarta-feira (13/10) a marca de 100 milh√Ķes de pessoas completamente vacinadas contra a covid-19.

O número simbólico acontece num momento em que outros indicadores também mostram uma melhora consider√°vel no cen√°rio da pandemia no país.

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E uma coisa tem a ver com a outra: embora diversos fatores possam contribuir, a vacina√ß√£o é o principal ingrediente que ajuda a explicar essa mudan√ßa positiva, de acordo com uma série de estudos e an√°lises estatísticas.

Confira a seguir cinco números que ajudam a entender o atual momento da crise sanit√°ria no Brasil e o que eles sinalizam para os próximos meses.

1) Quase metade


da população


vacinada

Até o momento, pouco mais de 150 milh√Ķes de brasileiros receberam a primeira dose do imunizante que protege contra a covid-19, segundo o Ministério da Saúde.

Desses, 100 milh√Ķes est√£o


totalmente imunizados — seja com


as duas doses da vacina ou com o


produto da Janssen,


que é de dose única.

Se fizermos uma rápida comparação com os Estados Unidos, por exemplo, fica fácil de ver como o ritmo de vacinação no Brasil segue em alta.

Segundo o site Our World In Data, que compila dados sobre a pandemia, 65% dos americanos tomaram ao menos a primeira dose da vacina. Esse percentual j√° passa dos 72% entre os brasileiros.

No número de doses aplicadas diariamente, os EUA atingiram um pico em abril e, desde ent√£o, o ritmo de novos vacinados est√° em queda constante.

J√° o Brasil, que teve um primeiro semestre marcado por falta de doses, o que certamente afetou o ritmo da campanha naquele momento, passou por um crescimento consider√°vel na campanha a partir de junho e julho. Foram v√°rios os dias em que mais de 2 milh√Ķes de brasileiros foram tomar a vacina.

2) Um décimo das mortes di√°rias

Um gr√°fico disponibilizado no Boletim Observatório Covid-19, da Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (FioCruz), publicado em 6 de outubro, mostra que, enquanto o percentual de brasileiros vacinados sobe, os óbitos caem de forma consistente no país.

Gráficos de mortes versus vacinação no Brasil
Os gr√°ficos de mortes e vacina√ß√£o seguem trajetórias completamente distintas no Brasil. A média móvel di√°ria de mortes, que contempla os dados dos últimos sete dias, também teve uma redu√ß√£o consider√°vel: segundo o levantamento do Conselho Nacional de Secret√°rios de Saúde, o Conass, o Brasil tem cerca de 300 mortes di√°rias atualmente.

Essa taxa se repete pela primeira vez desde novembro de 2020, quando est√°vamos no fim da primeira onda da covid-19 no país.

No momento mais grave da pandemia até agora, em abril de 2021, o Brasil chegou a registrar uma média móvel de 3.124 mortes por dia — número que é dez vezes maior que o observado hoje.

Isso n√£o significa que 300 óbitos a cada 24 horas seja algo bom, pelo contr√°rio. É necess√°rio que esse número caia ainda mais para o país ficar numa situa√ß√£o realmente tranquila.

Média móvel de óbitos por covid-19
Média móvel de óbitos por covid-19 est√° no menor patamar desde novembro de 2020, quando a primeira onda da pandemia no país terminava

3) Número sete vezes


menor de casos

Os gr√°ficos de média móvel do Conass também mostram que a taxa de diagnósticos de covid-19 caiu bastante: em julho, o Brasil bateu o pico de 77 mil casos di√°rios.

Atualmente, estamos com 11 mil, uma taxa quase sete vezes inferior.

Novamente, n√£o se pode considerar que 11 mil diagnósticos seja pouco. Mas a última vez que tínhamos atingido um patamar desses tinha sido em maio de 2020.

Média móvel de casos de covid-19
Média móvel de casos de covid-19 também est√° no menor patamar desde maio de 2020


4) Menos de 50% dos leitos


ocupados na maioria


dos Estados

Além de impactar de forma positiva os casos e as mortes por covid-19, a vacina√ß√£o também tem um efeito claro sobre as hospitaliza√ß√Ķes relacionadas às infec√ß√Ķes respiratórias no país.

Vale lembrar aqui que as vacinas disponíveis foram testadas e aprovadas justamente com esse objetivo: barrar os casos mais graves, que costumam exigir interna√ß√£o e intuba√ß√£o.

Os últimos boletins do Observatório Covid-19 da FioCruz mostram que a taxa de ocupa√ß√£o de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) est√° num nível de alerta baixo na maioria dos Estados brasileiros.

As únicas exce√ß√Ķes s√£o o Espírito Santo, que tem 75% dos leitos ocupados e fica num nível de alerta médio, e o Distrito Federal, que est√° numa situa√ß√£o crítica, com 83% das unidades em uso atualmente.

Taxa de ocupação de leitos de UTI
Taxa de ocupa√ß√£o de leitos de UTI est√° num nível baixo em boa parte do país

Numa perspectiva histórica, d√° pra ver como a situa√ß√£o evoluiu entre janeiro e outubro de 2021. No início do ano, a situa√ß√£o ficou bem crítica, a come√ßar pelo Amazonas.

No final de mar√ßo, praticamente o Brasil todo estava pintado de vermelho, o que indica um nível de alerta m√°ximo, segundo os par√Ęmetros da FioCruz.

Taxa de ocupação de leitos de UTI
Entre o final de mar√ßo e o início de abril, boa parte do país ficou num nível crítico de ocupa√ß√£o de leitos de UTI

A partir de agosto, o cen√°rio ficou aos poucos mais est√°vel e tranquilo, com algumas varia√ß√Ķes pontuais, como um aumento repentino no Rio de Janeiro que logo voltou a normalizar.

E, segundo alguns estudos publicados nos últimos meses, as hospitaliza√ß√Ķes e as mortes se concentram, em sua maioria, justamente nas pessoas que n√£o foram vacinadas ou est√£o com o esquema incompleto, o que só refor√ßa a import√Ęncia da campanha de imuniza√ß√£o.

5) Taxa de transmiss√£o cortada pela metade

O último dado positivo vem do Imperial College, do Reino Unido: o Brasil est√° com a menor taxa de transmiss√£o desde que o levantamento periódico foi iniciado, em abril de 2020.

Esse índice est√° atualmente em 0,60. Na pr√°tica, isso significa que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 60.

Pela margem de erro do estudo, o número pode variar entre 0,24 a 0,79 — ou seja, 100 indivíduos infectados transmitem o vírus para outros 24 a 79, respectivamente.

Em mar√ßo, quando a segunda onda come√ßava a se formar no país inteiro, esse número chegou a ficar acima de 1,23 (o dobro do índice atual), o que significa que 100 infectados "passavam" o vírus para outras 123 pessoas.

Segundo o Imperial College, quando o índice fica abaixo de 1, isso significa uma queda no ritmo de cont√°gio, pois o número de transmiss√£o é menor do que o de pessoas que j√° est√£o infectadas. Agora, se a taxa ficar superior a 1, isso é um sinal de que a pandemia est√° em expans√£o, j√° que mais e mais gente est√° entrando em contato com o vírus.

O pior j√° passou?

Diante de tantas boas notícias, ser√° que é seguro afirmar que o Brasil est√° se encaminhando para o fim da pandemia?

No momento, os especialistas e os relatórios epidemiológicos t√™m adotado uma posi√ß√£o de otimismo cauteloso. Isso significa que a melhora deve, sim, ser celebrada e exaltada, mas é preciso tomar alguns cuidados para que a situa√ß√£o n√£o volte a piorar nos próximos meses.

O primeiro passo é manter o ritmo da vacina√ß√£o. Quem ainda necessita tomar a segunda dose deve ir ao posto na data estipulada, enquanto idosos e profissionais da saúde também precisam ficar atentos aos cronogramas para receber a terceira dose.

Idosa recebe vacina de profissional da saúde
Apesar de campanha de vacinação contra a covid-19 ter avançado, ela está longe de terminar


As avalia√ß√Ķes dos cientistas e médicos também refor√ßam a necessidade de seguir as medidas preventivas b√°sicas, especialmente o uso de m√°scaras de boa qualidade, que vedam bem todo o rosto, e o cuidado com as aglomera√ß√Ķes, principalmente em lugares fechados e com pouca circula√ß√£o de ar.

Com um ano e meio de pandemia e uma sensação generalizada de cansaço, o momento atual parece não exigir mais aqueles lockdowns rigorosos.

"É de se esperar que, após 18 meses da pandemia, a exaust√£o da popula√ß√£o e a urg√™ncia da retomada de algumas atividades acabem por influenciar em um certo relaxamento das medidas. Mesmo com medidas restritivas em curso, a circula√ß√£o é intensa. A expectativa de libera√ß√£o para grandes eventos, como o Réveillon e o Carnaval, pode criar uma impress√£o equivocada de que é o momento de se pensar, em nível nacional, na abertura completa das atividades presenciais", aponta o Boletim Observatório Covid-19, da FioCruz.

Mas é importante evitar, mesmo quem j√° est√° com duas ou tr√™s doses no bra√ßo, espa√ßos fechados e mal ventilados, locais onde h√° aglomera√ß√Ķes, com pessoas muito próximas umas das outras, e intera√ß√Ķes sociais com muita proximidade física e por um tempo prolongado.

"A recomenda√ß√£o é de que, enquanto o país caminha para um patamar ideal de cobertura vacinal, medidas de distanciamento físico, uso de m√°scaras e higieniza√ß√£o das m√£os sejam mantidas e que a realiza√ß√£o de atividades que representem maior concentra√ß√£o e aglomera√ß√£o de pessoas só sejam realizadas com comprovante de vacina√ß√£o", concluem os especialistas da FioCruz.

Fonte: Yahoo e Min da Sa√ļde e OMS

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