Detentos fabricam blocos no presídio, gerando redução de gasto público em Nepomuceno, MG

Por Jornalista Alair de Almeida, Diretor e Editor do Jornal Região Sul em 03/12/2021 às 22:01:29
Produção é feita com o apoio do município e da rede local de empresários, que mantêm parcerias para além do projeto. Dois detentos do Presídio de Nepomuceno (MG) iniciaram a fabricação de blocos de concreto, que estão sendo utilizados para reformas de celas e do prédio administrativo. A produção teve início na segunda quinzena de novembro e é de, aproximadamente, cem peças por dia. O serviço gera uma redução de gastos públicos e a oportunidade de ressocialização, profissionalização e remição de pena para os custodiados.

Ação conta com a colaboração de comerciantes locais e da prefeitura municipal. Geralmente, os presos que já trabalham no presídio são indicados para empresas parceiras.

O diretor-geral do presídio, Dione Almeida, afirma que o material também poderá ser utilizado em uma futura reforma ou ampliação da unidade. Ele conta ainda que a gestão do presídio está diretamente ligada à comunidade, que entende a sua responsabilidade social e está sempre disposta a ajudar.

"Alguns construtores, que nos apoiam em diferentes projetos, costumam receber egressos em suas empresas, após eles demonstrarem suas aptidões intramuros, dando-lhes uma oportunidade no mercado de trabalho", destaca o diretor.

Produção é feita com o apoio do município e da rede local de empresários.

Divulgação Sejusp

O engenheiro Luiz Fernando Simão é um dos empresários que abrem portas para contratação da mão de obra do sistema prisional. Ele, que também apoia o projeto da fabricação de blocos, conta que, nos últimos oito anos, mais de cinquenta egressos já passaram por sua construtora e, atualmente, seis integram o quadro funcional.

"Acredito que eles devem ter o direito de se reintegrar, e esse primeiro contato da pessoa que sai do cumprimento da sentença para a sociedade, é muito difícil. A maior dificuldade, quando se conquista a liberdade, é o primeiro emprego. Por isso, sempre temos um grupo de egressos que trabalha conosco. Para eles se reintegrarem à sociedade no campo profissional, procuramos capacitá-los diante de suas necessidades, e muitos vão angariando novos postos na empresa ou, até mesmo, em outras", pondera Fernando.

O empresário acredita que a ideia da fabricação de blocos na unidade é importante, não só pela sustentabilidade que ela proporciona, mas também porque "um dos ramos que mais emprega, atualmente, é a construção civil", completa.

Experiência

Com experiência de quatro anos como serralheiro e montador de estrutura elétrica, James Gonçalves, de 24 anos, fez o primeiro molde, após pesquisas orientadas pela gestão da unidade. Ele é um dos dois detentos que integram o processo de fabricação.

"Nunca tinha feito um bloco antes, mas achei que tinha capacidade. Meu colega também nunca trabalhou com isso, estamos pegando a prática juntos", compartilha.

Presos que já trabalham no presídio são indicados para empresas parceiras.

Reprodução EPTV

Na adolescência, James não terminou o segundo grau, por conta do trabalho, mas finalizou os estudos no presídio, por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Entretanto, conta que seus planos para o campo acadêmico vão além do já alcançado.

"Pretendo fazer engenharia mecânica ou mecatrônica, por isso, farei o Enem PPL (Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade) em janeiro. Passei pela fatalidade de ir pela influência de outras pessoas. Quero ter a oportunidade de reconstruir a minha história", ambiciona.

O colega mencionado por James na confecção de blocos é Everton da Silva, de 26 anos, que trabalha como pedreiro desde os 18 anos, profissão que aprendeu com o pai. Ele, que pretende retomar a vida, voltando para o ofício na reforma e construção, conta que o novo aprendizado pode contribuir para sua jornada.

"O bom é que trabalho com isso e aprendi uma coisa a mais. É importante para o reeducando ter oportunidade de trabalhar e voltar para a sociedade de cabeça erguida. Tenho apenas que agradecer", observa.

Fonte: G1 Sul de Minas e Prefeitura Municipal

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