Tratamento dos 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em Cunha vai ser estendido ao menos até agosto, diz ONG

Por Marco Antônio Gomes de Carvalho em 01/05/2022 às 10:34:42
Animais foram regatados em fevereiro e prazo inicial era que a transferência até um santuário em Camanducaia (MG) fosse realizada em abril, mas tratamento deles precisou ser estendido devido ao quadro frágil de saúde. Tratamento dos 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em Cunha vai ser estendido ao menos até agosto

Divulgação/ Santuário Vale da Rainha

Tratamento dos 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em Cunha vai ser estendido ao menos até agosto

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Os mais de 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em uma fazenda em Cunha (SP) devem ficar ao menos até agosto na cidade para que tenham condições de se recuperar para serem transferidos a um santuário de animais em MG, segundo a ONG Santuário Vale da Rainha, responsável legal por eles.

Os animais foram encontrados em fevereiro e o prazo inicial era de que eles precisariam de ao menos dois meses para receber tratamento, ganhar quadro de saúde estável e conseguir resistir ao transporte até o santuário de animais em Camanducaia (MG).

Porém, devido ao estado debilitado de parte significativa dos animais, a entidade, que tratava eles em uma área cedida temporariamente pela prefeitura, alugou uma nova fazenda em Cunha para realizar o tratamento necessário até que os animais se recuperem e possam ser transportados sem riscos.

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"A viagem é longa. Não pode expor a risco de cair ou ser pisoteado. O problema que estamos enfrentando, que foi constatado com exames, é que devido ao tempo que ficaram sem se alimentar e sem ter acesso a água, eles perderam propriedades do estômago. Os bovinos têm uma porosidade que é o que retém a proteína do alimento. Como ficaram nessa situação, essa porosidade sumiu, o que dificulta a absorção de nutrientes e, consequentemente, a recuperação", disse Vitor Favano, fundador-presidente do Santuário.

Tratamento dos 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em Cunha vai ser estendido ao menos até agosto

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Tratamento dos 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em Cunha vai ser estendido ao menos até agosto; parte dos animais segue com problemas de saúde

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Tratamento

Na nova fazenda onde os animais estão, locada pelo Santuário em Cunha, foi montado um espaço de atendimento onde estão 130 animais em observação. Este é o grupo que se alimenta com dificuldade e muitos têm infecções causadas por parasitas - geralmente entre orelha e olhos.

Outros 60 bovinos têm papilomatose bovina, que é uma verruga com um tumor benigno, mas que pode se espalhar pelo animal, é contagiosa e pode chegar a causar cegueira se não for tratada de forma eficaz.

Na separação feita no local ainda há cerca de 40 animais maiores que estão em um pasto isolado e o restante é composto de fêmeas que estão em outra área.

"Só de estarem no pasto já é um alívio. O problema deles é a recuperação. Dos óbitos que tivemos, a necropsia foi feita na USP, o que identificou o problema no estômago", disse o gestor do santuário.

Boletim de Ocorrência

A ONG chegou a registrar um boletim de ocorrência após integrantes terem passado por uma tentativa de intimidação. O caso ocorreu em março e foi registrado como não criminal pela Delegacia de Cunha. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação da reportagem.

Tratamento dos 300 bezerros resgatados em situação de maus-tratos em Cunha vai ser estendido ao menos até agosto

Divulgação/ Santuário Vale da Rainha

Histórico

Os animais formam encontrados no início de fevereiro na propriedade pela Polícia Militar Ambiental após denúncias de maus tratos. Cerca de 300 bezerros foram encontrados sem acesso a alimentação, água e em áreas inadequadas. O dono da fazenda foi multado em cerca de R$ 900 mil, além de responder a processo por crime ambiental.

Após os animais serem encontrados, houve uma disputa judicial pela guarda dos animais para que fossem retirados da fazenda e recebessem tratamento. Voluntários de vários estados do Brasil se reuniram na cidade para o resgate.

Animais em situação de extremos maus tratos são encontrados em Cunha-SP

Divulgação/Polícia Ambiental

Os animais foram levados a um hospital de campanha montado no recinto de exposições da prefeitura em uma operação de mais de 24 horas. Já no transporte para o local, alguns dos bezerros não resistiram e morreram.

Empresa prometia investimento em gado com lucro na venda após a engorda

Reprodução

Investigação

A fazenda pertence a um grupo que oferecia investimento em gados para engorda, como uma oportunidade lucro no agronegócio “sem colocar os pés na lama”.

De acordo com a investigação, em anúncios da internet os donos apareciam oferecendo um negócio em que o animal era comprado por R$ 2 mil e em um ano os compradores receberiam R$ 2,5 mil. A fazenda fazia a engorda e depois vendia em suas próprias lojas a carne do animal – eles têm uma casa de carnes e churrasco.

A suspeita é de que, com a estrutura de investimento, o negócio se tratasse de uma pirâmide. No esquema, quem entra primeiro fica no topo, e recebe o dinheiro dos que vão chegando e permanecem na base. Sem novas entradas, o negócio quebrou. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

O advogado do proprietário da fazendo nega que os animais estivessem em situação de abandono. Informou que eles recebiam alimentação, água e que tinham veterinário no local para o acompanhamento, apesar das imagens dos bezerros desnutridos e mortos.

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