Todos os 26 mortos em Operação Policial em Varginha são identificados pela perícia da Polícia Civil; Quem são eles?

Identificação dos bandidos mortos em Varginha já terminou, os 26 já foram identificados pela perícia da polícia Civil em BH

Por Jornalista Alair de Almeida, Editor e Diretor do Jornal Região Sul em 02/11/2021 às 11:21:23
Armamento de Guerra, nas nãos dos 26 assaltantes mortos em Varginha em confronto com a Polícia militar e Polícia Rodoviária Federal

Armamento de Guerra, nas nãos dos 26 assaltantes mortos em Varginha em confronto com a Polícia militar e Polícia Rodoviária Federal

Perícia da

Polícia Civil

de Minas

identifica

todos os


26 mortos em Varginha


Os corpos foram encaminhados de Varginha para o Instituto Médico-Legal de Belo Horizonte. Os homens identificados s√£o do Amazonas, Rondônia, Goi√°s, Maranh√£o e Minas Gerais. O que se sabe sobre a opera√ß√£o que deixou 26 mortos em Varginha.

Até as 14h desta segunda-feira (08), todos os 26 corpos dos mortos na opera√ß√£o policial em Varginha, no Sul de Minas, j√° foram identificados. Ao todo, 26 pessoas morreram na a√ß√£o. Nenhum dos policiais foi ferido.

Os corpos foram para o Instituto

Médico-Legal Dr. André Roquette,

em Belo Horizonte, e os

identificados j√° liberados

para a família


Quem s√£o os

26 bandidos identificados

MORTOS

na Operação

em Varginha:



1. Artur Fernando Ferreira Rodrigues
(27 anos, Uberaba (MG) - liberado)

Tinha passagens por porte ilegal de arma de fogo e recepta√ß√£o. O nome dele aparece em um boletim de ocorr√™ncia da Pol√≠cia Rodovi√°ria Federal pelo crime de roubo de carga e caminh√Ķes. A ocorr√™ncia foi em mar√ßo de 2021, na BR-262, em Uberaba.

2. Dirceu Martins Netto
(24 anos, Rio Verde (GO) - liberado)

3. Eduardo Pereira Alves
(42 anos, Brasília (DF) - liberado)

4. Evando José Pimenta Junior
(37 anos, Uberl√Ęndia (MG)- liberado)

5. Gerônimo da Silva Sousa Filho
(28 anos, Porto Velho (RO) - liberado)

6. Gilberto de Jesus Dias
(29 anos, Uberl√Ęndia (MG) - liberado)

Tinha passagens por furto e tr√°fico de drogas. Em 2014, durante uma abordagem policial, atirou contra militares que participavam da a√ß√£o por isso tem anota√ß√£o por tentativa de homic√≠dio. A ocorr√™ncia foi registrada na cidade de Coromandel, no Tri√Ęngulo.

7. Giuliano Silva Lopes, 32 anos
(Uberl√Ęndia (MG) - liberado)

8. Gleisson Fernando da Silva Morais
(36 anos, Uberaba (MG) - liberado)

Tinha passagens por furto e roubo. Em 2015, Gleison foi preso ao tentar entrar em um supermercado. Ele estava no telhado do estabelecimento quando os militares consegueiram prende-lo. Em 2012, participou do assalto ao prédio da ABZC, a Associa√ß√£o Brasileira dos Criadores de Zeb√ļ, em Uberada. Na época, seis homens armados invadiram o setor financeiro da associa√ß√£o, renderam funcion√°rios e levaram cheques, documentos e celulares.

9. Isaque Xavier Ribeiro, 37 anos
(Gama (DF)

10. Itallo Dias Alves, 25 anos
(Uberaba (MG) - liberado)

Em 2012, quando era menor de idade, participou de um assalto à m√£o armada. Tinha v√°rias passagens por dirigir sem carteira de habilita√ß√£o. Em 2016 se passou por aluno e foi até a Escola Estadual Corina de Oliveira, no Bairro Merc√™s, em Uberaba, para amea√ßar a ex-namorada. "Vou te matar, vou te dar um tiro" foram as ame√ßas que o rapaz disse a v√≠tima no dia em que a ocorr√™ncia foi registrada.

11. José Filho de Jesus Silva Nepomuceno
(37 anos, Caxias (MA) - liberado)

12. José Rodrigo Dama Alves
(33 anos - Uberl√Ęndia - MG -liberado)

Tinha passagens pelo sistema prisional. Em julho de 2018, foi abordado pela Pol√≠cia Militar com um carro furtado. Durante a a√ß√£o, ele e um comparsa tentaram fugir e acabaram batendo em uma viatura da PM. Com eles, os policiais encontraram uma pistola calibre 380 que havia sido furtado em Uberl√Ęndia, no Tri√Ęngulo. Segundo o boletim de ocorr√™ncia do furto do revólver, o autor seria "magro, alto e negro". Caracter√≠sticas que, segundo a pol√≠cia, eram as mesmas de José Rodrigo.

13. Julio Cesar de Lira
(36 anos, Santos (SP) - liberado)

14. Nunis Azevedo Nascimento
(33 anos, Novo Aripuan√£ (AM) - liberado)

Segundo Tribunal de Justi√ßa do Amazonas (TJAM), na ficha criminal de Nunis só havia um processo no Juizado Especial C√≠vel da Comarca de Humait√°. Na ocasi√£o, o homem havia sido denunciado por um acidente de tr√Ęnsito, em 2015, mas o processo n√£o seguiu adiante por conta da aus√™ncia da autora da a√ß√£o em uma audi√™ncia, sendo, posteriormente, arquivado.

15. Raphael Gonzaga Silva
(27 anos, Uberl√Ęndia (MG) - liberado)

Tinha passagens por tr√°fico de drogas e recepta√ß√£o. Em 2012, quando era menor, fez parte de um grupo que tentou arrombar uma casa lotérica no Bairro Luizote de Freitas, em Uberl√Ęndia. No mesmo ano, uma pessoa que teve a moto roubada reconheceu Raphael por uma tatuagem que ele tinha na perna.

16. Ricardo Gomes de Freitas
(34 anos, Uberl√Ęndia (MG) - liberado)

17. Romerito Araujo Martins
(35 anos, Goi√Ęnia (GO)

18. Thalles Augusto Silva
(32 anos, Uberaba (MG) - liberado)

Em 2012 participou de um roubo a uma loja de material de construção. Ele e um comparsa levaram R$ 13 mil em dinheiro e correntes de ouro de funcionárias do estabelecimento. Os dois foram localizados horas depois do crime. Em 2017, a PM apreendeu com Thalles armas de fogo, entre elas umas pistola calibre 38. Teve passagens pelo sistema prisional.

19. Zaqueu Xavier Ribeiro
(40 anos, Goi√Ęnia (GO)

20. Daniel Antonio de Freitas Oliveira
(36 anos, Uberl√Ęndia (MG)

21. Darlan Ribeiro dos Santos
(41 anos, Goi√Ęnia (GO)

22. Francinaldo Ara√ļjo da Silva
(44 anos, Eugênio Barros (MA)

23. Thalles Augusto Silva,
32 anos, Uberaba (MG)
Em 2012 participou de um roubo a uma loja de material de construção. Ele e um comparsa levaram R$ 13 mil em dinheiro e correntes de ouro de funcionárias do estabelecimento. Os dois foram localizados horas depois do crime. Em 2017, a PM apreendeu com Thalles armas de fogo, entre elas umas pistola calibre 38. Teve passagens pelo sistema prisional

24. Welington dos Santos Silva
31 anos, Parauapebas (PA);

25. Zaqueu Xavier Ribeiro,
40 anos, Goi√Ęnia (GO).

26. Adriano Garcia
47 anos ( MG de Elói Mendes)
Ele era o caseiro de um dos sítios, e sabia de tudo, por isso está sendo considerado parte da quadrilha, embora seja analfabeto, e muito conhecido na região.


Eles foram identificados por meio de exame datiloscópico (impress√£o digital), em trabalho realizado conjuntamente pelo Instituto de Identifica√ß√£o da Pol√≠cia Civil de Minas Gerais, que emitiu oito laudos, e pela Pol√≠cia Federal, que emitiu tr√™s. Em um dos casos, as duas corpora√ß√Ķes emitiram o documento.



A Pol√≠cia Civil disse ainda que, além da identifica√ß√£o dos corpos, "desenvolve investiga√ß√£o da vida pregressa dos indiv√≠duos, bem como dos fatos e de suas circunst√Ęncias para poss√≠veis correla√ß√Ķes com outros eventos".


Segundo a Polícia, nenhum dos corpos estava com documentos.

Comiss√£o de Direitos Humanos analisa o Caso

A Comiss√£o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais pediu uma apura√ß√£o sobre as mortes. A deputada Andréia de Jesus (PSOL), presidente do colegiado, diz que vai acionar o Ministério P√ļblico e a Secretaria de Seguran√ßa P√ļblica investigar o caso.

A deputada ainda fez cr√≠ticas à atua√ß√£o dos agentes.

"Uma opera√ß√£o policial exitosa é uma opera√ß√£o que n√£o deixa óbitos para tr√°s. Infelizmente, no Brasil, a juventude negra ainda continua tendo pena de morte como a √ļnica alternativa", disse a parlamentar.

Ela também defendeu que os mortos tivessem sido responsabilizado pelo crime que cometeram. "Um crime contra patrimônio n√£o justifica a retirada de vida, seja de quem quer que seja", acrescentou.

Regimentalmente, para que a comiss√£o possa iniciar a apura√ß√£o oficial, é preciso que os deputados membros aprovem um requerimento. Ainda n√£o h√° uma previs√£o para que isso ocorra.



O Fórum Brasileiro de Seguran√ßa P√ļblica também acredita que uma investiga√ß√£o deve ser feita para apurar a a√ß√£o.

Em nota, a Pol√≠cia Rodovi√°ria Federal (PRF) disse que "os policiais atuaram no estrito cumprimento do dever legal, utilizando a for√ßa necess√°ria para repelir injusta agress√£o e manter a ordem p√ļblica e a incolumidade das pessoas, evitando a atua√ß√£o de uma quadrilha, que pelo poderio bélico encontrado, poderia instaurar o caos na regi√£o, inclusive colocando a vida de cidad√£os de bem em risco".

A Pol√≠cia Militar disse que, "de imediato, na primeira hora dos fatos, divulgou, ao vivo, em suas redes sociais, todas as a√ß√Ķes que foram realizadas, além de organizar uma coletiva de imprensa com os respons√°veis pela opera√ß√£o, que estiveram in loco. N√£o havendo, portanto, qualquer restri√ß√£o de acesso à informa√ß√£o relacionada à ocorr√™ncia".
"Sobre a a√ß√£o policial, além das medidas de Pol√≠cia Militar Judici√°ria adotadas, a institui√ß√£o instaurou um Inquérito Policial Militar".



Banco de perfis

Amostras de DNA coletadas dos 26 corpos dos suspeitos de assalto a banco ser√£o inseridas no banco nacional de perfis genéticos. A partir disso, poder√° ser apontada a eventual participa√ß√£o deles em outros crimes.

A secret√°ria-executiva da Secretaria de Estado de Justi√ßa e Seguran√ßa P√ļblica (Sejusp), a médica legista Tatiana Telles, informou na manh√£ desta segunda-feira (1¬ļ) que esse banco de perfis genéticos procura coincid√™ncias, os chamados "matches", entre o DNA desses corpos e o DNA achado em locais de crime no Brasil.

"Muito provavelmente nós teremos coincid√™ncias de atua√ß√Ķes dessa quadrilha em outros locais de crime, em que por ventura tenham sido inseridos vest√≠gios", disse a médica legista Tatiana Telles.

Segundo a médica legista Tatiana Telles, assim que a Pol√≠cia Civil tomou conhecimento sobre as mortes na opera√ß√£o, encaminhou uma aeronave para Varginha, onde foram feitos os primeiros trabalhos para identifica√ß√£o dos corpos. Eles foram separados por numera√ß√£o e foi feita uma primeira coleta de digitais.

Após o translado dos cad√°veres para Belo Horizonte em rabec√Ķes, cinco peritos e dez legistas come√ßaram a atuar na realiza√ß√£o de exames no Instituto Médico-Legal (IML) André Roquette por volta das 21h deste domingo (31).

A decis√£o de traz√™-los para a capital se deveu à complexidade dos trabalhos. Para identifica√ß√£o dos corpos, foi adotado um protocolo semelhante ao adotado na tragédia de Brumadinho em 2019.

"Assim que os corpos foram recebidos no IML, foram classificados com numeração, foram devidamente colocados protocolo de desastre de massa, igual foi feito em Brumadinho", disse o legista Marcelo Mari.

Os corpos foram submetidos a exames de raio-X, passaram por coleta de DNA e ainda foram refeitas as coletas de impress√£o digital, para uma dupla chegassem. Os trabalhos seguiram ao longo de toda a madrugada e apenas uma pausa foi feita entre 6h20 e 7h.


10 Carros roubados foram apreendidos pela Polícia nos dois sítios em Varginha

Segundo Tatiana Telles, algumas fam√≠lias j√° procuraram o local buscando informa√ß√Ķes sobre a identifica√ß√£o dos suspeitos, que ainda n√£o tem previs√£o para conclus√£o.

"Os familiares que tiverem supostos entes queridos em meio a esses corpos tragam documentos, como exames, tomografias, fotografias que apareçam os dentes, os rostos se tiverem tatuagens, documentos pessoais.

Qualquer elemento que facilita a identifica√ß√£o antropológica dos suspeitos", afirmou o médico legista José Roberto Rezende Costa.
O prazo para conclus√£o do laudo pericial é de dez dias, podendo ser prorrogado devido à complexidade dos trabalhos.

O ataque dos
assaltantes
em Varginha

De acordo com levantamentos policiais, a quadrilha se preparava para atacar um centro de distribuição de valores do Banco do Brasil em Varginha. A Polícia Militar (PM) disse que os suspeitos haviam alugado um sítio na cidade para ficarem perto do batalhão da corporação e assim realizarem a ação.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os confrontos com os homens ocorreram em duas abordagens diferentes. Na primeira, os suspeitos atacaram as equipes da PRF e da PM, sendo que 18 deles morreram no local.

Em uma segunda ch√°cara, conforme a PRF, foi encontrada outra parte da quadrilha e, neste local, após intensa troca de tiros, ocorreram as demais mortes.



De acordo com a pol√≠cia, eles t√™m rela√ß√£o com crimes cometidos contra institui√ß√Ķes financeiras em Uberaba (MG), Ara√ßatuba (SP) e Crici√ļma (SC).

Armamento de guerra


e uma metralhadora


Ponto 50 que pode


derrubar avi√Ķes

Conforme a PM, os suspeitos tinham uniformes, coletes bal√≠sticos, coturnos e roupas camufladas. Além disso, tinham carregadores j√° municiados e armamentos de todos os calibres, como fuzis, escopetas e também "miguelitos", usados para furar pneus de viaturas.



A pol√≠cia também apreendeu com os suspeitos v√°rios gal√Ķes de combust√≠vel e materiais que seriam usados como explosivos, e uma metralhadora PONTO 50, que derruba até avi√Ķes

Os integrantes da quadrilha poderiam fugir em uma carreta com fundo falso apreendida pela Pol√≠cia Rodovi√°ria Federal. A suspeita é da PRF, que localizou o ve√≠culo em Muzambinho (MG).

A A Policia Militar disse que divulgou "todas as a√ß√Ķes que foram realizadas, além de organizar uma coletiva de imprensa com os respons√°veis pela opera√ß√£o, que estiveram in loco. N√£o havendo, portanto, qualquer restri√ß√£o de acesso à informa√ß√£o relacionada à ocorr√™ncia. Sobre a a√ß√£o policial, além das medidas de Pol√≠cia Militar Judici√°ria adotadas, a institui√ß√£o instaurou um Inquérito Policial Militar".

Carreta camuflada que

poderia ser


usada na fuga da

Quadrilha dos bandidos


mortos em Varginha

foi apreendida


em Muzambinho



Domínio de cidades

O modo de agir dos integrantes da quadrilha de roubos é denominado como "dom√≠nio de cidades".

Neste tipo de pr√°tica, os criminosos utilizam pr√°ticas para impedir que as for√ßas de seguran√ßa possam reagir e também colocam em risco a popula√ß√£o.

A explica√ß√£o é do comandante do Batalh√£o de Opera√ß√Ķes Especias (Bope), tenente-coronel Rodolfo César Morotti Fernandes.

Ele explicou que a a√ß√£o dos homens mortos no Sul de Minas é diferente da chamada de "novo canga√ßo" sendo, na verdade, a denominada "dom√≠nio de cidades".

Parte das armas

utilizadas pelos

integrantes da quadrilha

de roubos a bancos

mortos em Varginha



Armamento apreendido durante operação da PM e PRF que resultou na morte de 26 suspeitos de roubo a bancos em Varginha


"Nesse contexto de atua√ß√£o criminosa, o "novo canga√ßo" subintende a a√ß√Ķes de menor vulto. A√ß√Ķes de quadrilhas menores, com menor poderio bélico e em cidades menores", disse ao g1.

"O domínio de cidades seria uma evolução do novo cangaço, seria uma forma mais violenta, com mais material empregado, mais efetivo por parte dos criminosos.

Ou seja, onde ele teria que dominar a cidade impedindo uma reação imediata da força de segurança, onde ele teria tempo para concretizar a ação criminosa.

Basicamente a diferen√ßa entre novo canga√ßo e dom√≠nio de cidades seria isso: a quantidade de agentes e esse √Ęnimo em impedir qualquer rea√ß√£o por parte da for√ßa de seguran√ßa local", completou.


Fonte: G1 Sul de Minas e Polícias Civil e Militar / BOPE / Perícia da Polícia Civil de Minas Gerais

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