Remédios para COVID-19: quais já foram testados e quais foram comprovados?

O avanço do COVID-19 no Brasil e no Mundo e o estsdo dos remédios...

Por Jornalista Alair de Almeida, Editor e Diretor do Jornal Região Sul em 09/06/2021 às 10:07:47
COVID-19: Os remédios no Mundo....

COVID-19: Os remédios no Mundo....

Remédios

para COVID-19:

quais j√° foram

testados e quais

foram comprovados?


No entanto, mesmo para redirecionar o uso de um medicamento, como buscam fazer para a COVID-19, os pesquisadores precisam demonstrar que a fórmula é eficaz e segura para o novo uso, afinal s√£o diferentes agentes infecciosos. Para conter um novo vírus, por exemplo, as dosagens, provavelmente, s√£o diferentes — e o quadro de saúde de quem vai receber a droga também pode ser outro. Nesse cen√°rio, uma doen√ßa que causa insufici√™ncia cardíaca n√£o deveria ter como tratamento um remédio que, comprovadamente, altere o funcionamento do cora√ß√£o.

Pesquisadores investigam uma série de remédios contra o coronavírus, como ivermectina e remdesivir (Foto: HeungSoon/Pixabay)


Afinal, o que se faz t√£o necess√°rio para a aprova√ß√£o para o uso de um medicamento contra o novo coronavírus? Lembrando que os cientistas j√° investigam h√° mais de seis meses esse vírus. Só que isso, no universo das pesquisa científicas, é muito pouco e, fora do contexto da pandemia, levaria ao menos dois anos para a prova√ß√£o de uma droga para a COVID-19, como em um estudo clínico controlado e centenas de testes em milhares de pessoas.

Diferença entre in vitro e in vivo

As pesquisas para o uso de um medicamento devem contar com experimentos in vitro, ou seja, em uma cultura de células, dentro de um laboratório, mas também in vivo, quando o composto é testado diretamente em pacientes biologicamente ativos, sejam animais ou seres humanos. Isso porque os resultados encontrados em um ambiente controlado podem ser muito diferentes dos encontrados em um organismo vivo.

Em outras palavras, o fato de uma subst√Ęncia funcionar contra o novo coronavírus num experimento in vitro n√£o é uma prova de que ele também ir√° valer para o paciente com a COVID-19 e nem que ele seja seguro para um uso diferente daquelas dosagens e prescri√ß√Ķes clínicas aprovadas anteriormente para outros fins. Isso implica em dois pontos: usos experimentais de um medicamento podem acontecer, desde que acordado entre médico e paciente, em estudos; e a automedica√ß√£o quando feita, a partir de informa√ß√Ķes duvidosas, pode representar um grave risco à saúde.

A seguir, confira a lista com os principais remédios que s√£o testados e prescritos, de forma experimental, para o tratamento de casos do novo coronavírus:

Ivermectina

Ivermectina é estudada no combate ao novo coronavírus (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)


Para que serve? A ivermectina é um remédio normalmente indicado para o combate de diferentes tipos de vermes e parasitas no corpo humano.

Qual o status em ag√™ncia reguladora? Segundo nota da Ag√™ncia Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa), "n√£o existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da COVID-19, bem como n√£o existem estudos que refutem esse uso". Além disso, a ag√™ncia afirma: "o uso do medicamento para indica√ß√Ķes n√£o previstas na bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor".

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Cloroquina e Hidroxicloroquina

Para que serve? Tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina s√£o dois medicamentos, atualmente, autorizados para tratamentos contra a mal√°ria e determinadas doen√ßas autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. Embora sejam duas drogas "diferentes", a hidroxicloroquina é derivada da cloroquina.

Qual a rela√ß√£o com o coronavírus? No início da pandemia, a cloroquina e a hidroxicloroquina foram consideradas grandes apostas para o enfrentamento do novo coronavírus. Isso porque, em ensaios in vitro, a cloroquina se mostrou eficaz e seletiva contra o coronavírus, mas no organismo humano n√£o se mostrou efetiva, de acordo com estudo do Instituto de Ci√™ncias Biomédicas (ICB) da USP.

Qual o status nas ag√™ncias reguladoras? Entre as recomenda√ß√Ķes do Ministério da Saúde est√° o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina, no tratamento precoce de pacientes com COVID-19, no Sistema Único de Saúde (SUS) — desde que acordado entre médico e paciente. No entanto, a Fiocruz se posicionou de forma contr√°ria ao uso. J√° a Anvisa afirma que "n√£o existe ainda nenhum ensaio clínico concluído que comprove os benefícios da hidroxicloroquina no caso da COVID-19".

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Azitromicina

Para que serve? A azitromicina é um antibiótico bastante conhecido e, normalmente, utilizado em humanos para o tratamento de infec√ß√Ķes no trato respiratório.

Qual a rela√ß√£o com o coronavírus? O medicamento n√£o é utilizado de forma isolada contra o novo coronavírus e, sim, de forma associada. Sua a√ß√£o foi investigada quando associado à cloroquina e à hidroxicloroquina para pacientes da COVID-19.

Status nas ag√™ncias reguladoras? O uso da azitromicina est√°, diretamente, ligado à libera√ß√£o das drogas associadas.

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Remédio Annita é investigado para o us contra a COVID-19 (Foto: Reprodu√ß√£o/ Fernando Bergamo)


Para que serve? A nitazoxanida, que é o princípio ativo dos antivirais mais conhecidos como Azox ou Annita, é indicada, na maioria dos casos, para combater parasit√°rios e vermes.

Qual a rela√ß√£o com o coronavírus? As primeiras pesquisas apontaram que, após 48 horas de uso in vitro, o medicamento apresentou efic√°cia de 93,4% contra o coronavírus. No entanto, um recente estudo do Instituto de Ci√™ncias Biomédicas (ICB) da USP observoiu que a fórmula tem atividade antiviral in vitro, mas n√£o de forma n√£o seletiva, ou seja: a droga pode eliminar o vírus das amostras, só que também mata as células portadoras.

Status nas ag√™ncias reguladoras? Com o anúncio de estudos com a droga contra a COVID-19, a Anvisa passou a classificar a subst√Ęncia como de uso controlado, através de inclus√£o na Lista de Subst√Ęncias Entorpecentes, Psicotrópicas, Precursoras e Outras sob Controle Especial. No entanto, a ag√™ncia ainda n√£o se posicionou quanto ao uso.

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Dexametasona

Esteroide dexametasona é investigado para tratamento da COVID-19 (Foto: Nati Harniki/ AP)


Para que serve? A dexametasona é um anti-inflamatório esteroide de uso bastante popular pelo mundo e é usado contra inflama√ß√Ķes das mais variadas ordens. Por exemplo, é usadas para combater infec√ß√Ķes fúngicas e bacterianas, como meningite e um tipo específico de pneumonia comum em pacientes com HIV.

Qual a rela√ß√£o com o coronavírus? A partir de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Oxford, foi atribuído ao medicamento a melhora dos quadros graves de pacientes com COVID-19. Atualmente e antes da pandemia, hospitais costumam usar corticoides, como esse, para auxiliar nos quadros mias graves de infec√ß√£o pulmonar.

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Daclatasvir e Sofosbuvir

Para que serve? Tanto o daclatasvir quanto o sofosbuvir s√£o dois medicamentos antivirais, normalmente receitados para o tratamento de pacientes diagnosticados com a hepatite C.

Qual a rela√ß√£o com o coronavírus? Os dois antivirais foram testados in vitro e se observou a capacidade de inibirem a replica√ß√£o do novo coronavírus (SARS-CoV-2) em experimento realizado pela Fiocruz. Entre eles, os experimentos identificaram que o antiviral daclatasvir tem melhor potencial para conter o desenvolvimento da COVID-19. Ainda é necess√°ria a valida√ß√£o dos medicamentos em estudos clínicos para eventual aprova√ß√£o.

Qual o status nas agências reguladoras? Por se tratar de um estudo recente, a Anvisa ainda não se pronunciou sobre os medicamentos.

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Para que serve? O remdesivir é um antiviral que j√° foi testado contra o Ebola e mostrou alguma efic√°cia para SARS (síndrome respiratória aguda grave) e MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio).

Qual a rela√ß√£o com o coronavírus? Alguns estudos apontam para evid√™ncias de que o remdesivir pode acelerar o tempo de recupera√ß√£o de pacientes graves.

Qual o status nas ag√™ncias reguladoras? No contexto da pandemia, o medicamento recebeu autoriza√ß√£o de uso emergencial para os pacientes contaminados, emitido pela Food and Drug Administration (FDA). A Ag√™ncia Europeia de Medicamentos (EMA) também recomendou a autoriza√ß√£o "condicional" do seu uso. No Brasil, a Anvisa afirmou estar em contato com a respons√°vel pela fabrica√ß√£o para acompanhar a evolu√ß√£o dos estudos. Por enquanto, o remdesivir também n√£o possui pedido de registro no Brasil.

Uso comprovado contra COVID-19? N√£o.

Fonte: Ministério da Saúde, Jornal da USP, Estad√£o, ICTQ, Anvisa (1), (2) e (3)

Fonte: Yahoo, Minist√©rio da Sa√ļde, Jornal da USP, Estad√£o, ICTQ, ANVISA

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