Três Corações: Ex-presidente da Unincor é preso pela Polícia Federal

Por Jornalista Alair de Almeida, Diretor e Editor do Jornal Região Sul em 11/05/2022 às 15:47:44
O ex-presidente foi preso na manhã desta terça-feira (10) em Belo Horizonte. A "Operação J'Adobe" apura o desvio e lavagem de dinheiro da Unincor e sua mantenedora. Operação J'Adoube: PF prende envolvido em esquema de desvio e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal falou na manhã desta quarta-feira (11) sobre os motivos que levaram à prisão de Leandro Rodrigues de Souza, ex-presidente da Fundação Comunitária Tricordiana de Educação (FCTE), mantenedora da Universidade Vale do Rio Verde (Unincor), em Três Corações (MG). O ex-presidente foi preso na manhã desta terça-feira (10) em Belo Horizonte. Ele é apontado como o chefe do esquema de irregularidades investigado na "Operação J'Adobe", que apura o desvio e lavagem de dinheiro da Unincor e sua mantenedora.

Segundo o delegado da Polícia Federal João Carlos Girotto, o principal motivo da prisão de Leandro foi garantir a ordem pública. Ainda de acordo com o delegado, o ex-presidente foi encaminhado para o presídio de Varginha, onde permanece em prisão preventiva. Não há previsão para que ele seja colocado em liberdade novamente.

"A polícia lastreou o pedido de prisão com fundamento na garantia da ordem pública, ou seja, interromper a atividade criminosa, que notadamente é ocultação e dissimulação de valores", disse o delegado.

Ex-presidente de fundação é preso em operação que investiga irregularidades em Três Corações

Ainda de acordo com o delegado, o ex-presidente teria nomeado outra pessoa para assumir o cargo dele. Para ele, essa ação tratou-se de uma "cortina de fumaça", com intuito de enganar o estado, a instituição e também as pessoas e empresas vinculadas à fundação.

"Um ponto importante a ser ressaltado, que também fez parte do fundamento do pedido, diz respeito ao fato do diretor da FCTE ter publicizado que estava afastado a partir de março deste ano. As investigações apontam que se tratou de subterfúgio. Nomeou pessoa específica de confiança, que a ele estava submetida, seguindo suas ordens", explicou.

O delegado também apontou como motivo os gastos feitos pelo ex-presidente. De acordo com João Carlos, foram constatadas situações que indicam contratos falsos de locação de imóveis, através de uma empresa de cobranças de mensalidades. Outra questão investigada era o gasto do ex-presidente com viagens.

"Viagens luxuosas de helicópteros de uma empresa instalada em São Paulo. Viagens estas realizadas pelo diretor da FCTE com seus familiares ao litoral de são Paulo. Os valores foram pagos por uma empresa que recebia as mensalidades escolares, ou seja, enquanto funcionários e professores não recebiam seus valores [salariais] e as obrigações trabalhistas não eram honradas, o dinheiro era utilizado em atividades luxuosas do diretor do FCTE", afirmou.

Delegado João Carlos Girotto fala sobre motivos que levaram à prisão de ex-diretor de fundação de Três Corações

Reprodução EPTV

O delegado também informou que as investigações continuam. "O inquérito tem prazo para conclusão, contudo há outras diligências pendentes. Tudo indica que será aberta uma nova investigação com foco específico na empresa que ocupa o cume do circuito de lavagem de dinheiro", disse.

Testemunha ameaçada

Outra situação que está sendo investigada foram as ameaças sofridas por uma testemunha ouvida pela Polícia Federal.

"Uma testemunha ouvida preteritamente compareceu à sede da Polícia Federal noticiando que havia recebido, por meio de aplicativo de redes sociais, em duas oportunidades, mensagens com teor ameaçador. Foram realizadas diligencias pertinentes e, na data de ontem, foi cumprido um mandado de busca, restando apreendidos aparelhos celulares deste suspeito", contou o delegado.

O delegado informou que a Polícia Federal vai procurar descobrir se o suspeito agiu sozinho ou a pedido de algum integrante da organização criminosa.

O que diz a defesa

A EPTV, afiliada da Rede Globo, entrou em contato com a defesa de Leandro Rodrigues de Souza. Por meio de nota, a advogada do ex-presidente informou que o escritório tomou conhecimento da prisão de Leandro na noite desta terça-feira (10).

Além disso, o escritório disse que o cliente está contribuindo com as investigações e prestando os esclarecimentos necessários. Ainda de acordo com a advogada, não há nenhum processo criminal em que o Leandro esteja respondendo ou tenha sido condenado e que as razões para a prisão não se justificam.

Veja a nota na íntegra

"Tomamos conhecimento na data de ontem (11/05/2022), na parte da manhã, de que Leandro Rodrigues De Souza foi preso após a abertura de Inquérito pela Polícia Federal. Esclarecemos que somente ao fim da tarde de ontem conseguimos acesso à decisão judicial com as razões que fundamentaram o pedido e decretação da prisão.

Esclarecemos, ainda, que desde o início Leandro vem contribuindo com as investigações e prestando todos os esclarecimentos necessários, tanto às autoridades policiais, quanto ao juiz que decretou a prisão ao fundamento de garantia da ordem pública e da instrução processual.

Salientamos que estamos diante de investigação policial, não há nenhum processo criminal em que o Leandro esteja respondendo ou tenha sido condenado. Leandro é pessoa de elevada índole, sem qualquer envolvimento em crimes de qualquer natureza, tem contribuído e envidado esforços para o esclarecimento dos fatos à autoridade policial.

As razões para a decretação da prisão não se justificam, são completamente desarrazoadas e desproporcionais. Confiamos na justiça e temos a certeza de que em breve os fatos serão esclarecidos e a liberdade será concedida"

A operação

A Polícia Federal deflagrou em março uma operação contra os crimes de desvio e lavagem de dinheiro na instituição de ensino superior e sua mantenedora. Os investigados da ação da PF são a Universidade Vale do Rio Verde (Unincor) e a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação (FCTE).

A operação foi nomeada de "J"Adoube". Segundo a PF, durante as investigações foi apurado que a fundação tinha grande volume de débitos tributários e previdenciários com a União já vencidos. O valor era de cerca de R$ 92 milhões. Além disso, havia também dívidas trabalhistas de processos judiciais com trânsito em julgado, que não foram pagos.

Ainda de acordo com a PF, os dirigentes da FCTE e titulares de empresas criadas para atividades ilícitas teriam desviado valores das mensalidades dos cursos oferecidos, ao longo de mais de três anos. Estes valores deveriam ser incluídos nas contas da FCTE para o pagamento de encargos correntes e dívidas.

Professores da Unincor entram em greve em Três Corações

Reprodução EPTV

Após a operação, a Polícia Federal pediu ao Ministério Público o afastamento de pessoas que fazem parte da diretoria da Fundação Comunitária Tricordiana de Educação (FCTE), mantenedora da Universidade Vale do Rio Verde (Unincor).

A Secretária de Educação de Varginha (MG), Gleicione Aparecida Dias, também foi afastada das funções por tempo indeterminado. Ela é suspeita de fazer parte do esquema investigado pela PF.

No início de abril, os professores da universidade entraram em greve e protestaram pela falta de pagamento de direitos trabalhistas, alguns atrasados há mais de 10 anos.

O que diz a instituição

Em nota, a Fundação Comunitária Tricordiana de Educação (FCTE), mantenedora da Unincor, informou que o professor Leandro Rodrigues encontra-se afastado de suas atividades na instituição desde a 1ª semana do mês de abril.

A instituição informou também que, a pedido, os demais gestores se afastaram de suas atividades e que, conforme aprovado em reunião pelo Conselho Deliberativo da Fundação, quem responde e está à frente da Unincor é o professor Dones Nunes e o professor Leonardo Annechino.

A direção da Unincor informou ainda que estão mantidas todas as suas atividades acadêmicas e administrativas normalmente, com aulas presenciais e online e que os salários correntes estão em dia, e outras demais questões já estão sendo tratadas pela nova gestão.

Fonte: G1 Sul de Minas e Polícia Federal

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