Porcentagem de alunos de escolas públicas que estão nas universidades federais passa de 50% no Sul de Minas

Por Jornalista Alair de Almeida, Diretor e Editor do Jornal Região Sul em 28/06/2022 às 21:23:57

Ufla tem 63% dos estudantes de escolas públicas, Unifal possui mais da metade e Instituto Federal tem 80%. Sistema de cotas completa 10 anos. Nas universidades do Sul de MG, mais da metade dos alunos vieram de escolas públicas

Ingressar na vida acadêmica não é fácil, principalmente para quem vem de escola pública. Mas o sistema de cota tem mudado essa realidade e, no Sul de Minas, mais da metade dos alunos de três instituições federais de ensino superior continuam estudando graças a esse apoio.

Na Universidade Federal de Lavras (Ufla) a porcentagem de alunos que vem de escolas públicas passou de 40% para 63% de 2013 para 2022. Na Universidade Federal de Alfenas (Unifal) mais da metade dos estudantes vem do ensino público. Já no Instituto Federal do Sul de Minas, esse percentual chega a 80%.

A mariana cursa medicina na Ufla. Ela sempre estudou em escola pública e por algum tempo nem imaginava que conseguiria realizar o sonho de ser pediatra.

"Na Ufla tem a Mostra de Profissões, que reúne estudantes de diversas escolas, tanto públicas quanto privadas, para conhecer os cursos da universidade. Em 2017, eu fui uma dessas pessoas que veio aqui e acabei participando da Mostra de Profissões do curso de medicina. A partir daquele momento realmente me apaixonei e foi uma experiência muito interessante quando ingressei na medicina e, ao invés de estar sentada no lugar do estudante, estava contando a minha experiência de que é possível ingressar", falou a estudante.

Estudar em uma universidade federal é o sonho de muitos alunos que vem da escola pública. Mas a concorrência acaba deixando alguns estudantes em desvantagem.

Quem não teve uma base reforçada nos ensinos fundamental e médio pode sair prejudicado. Fernando Borges se formou na Ufla em engenharia de automação. Ele conseguiu acesso ao curso por meio do programa de cotas.

"Durante a graduação, você vai vendo os anos posteriores, você vê pessoas que entraram por cota ganhando mérito acadêmico, passando em pós-graduação, em empregos, passando em editais em altas posições e tudo mais", comentou o engenheiro.

Porcentagem de alunos de escolas públicas que estão nas universidades federais passa de 50% no Sul de Minas

A explicação para mais da metade dos alunos das instituições federais do Sul de Minas ser de escolas públicas está no programa nacional de cotas. Em 2022, a lei que instituiu as cotas nas instituições federais de ensino completa 10 anos.

Entre os alunos que entram nas unibersidadrs por meio das cotas, o índice de abandono do curso é menor do que para os estudantes que entram pela seleção em ampla concorrência. O que pode ajudar a explicar o perfil dos alunos cotistas.

"Sem dúvida, a evasão é uma situação multifatorial, mas é o que sempre digo: o aluno cotista valoriza mais a vaga. A oportunidade dele é menor do que os de demanda social. Sendo menor, ele agarra com mais afinco, porque ele sabe que, se ele conseguir se formar, terá uma nova perspectiva de vida, muitas vezes muito diferente do que tiveram os seus familiares", explicou o reitor da Ufla, João Chrysostomo de Resende Junior.

Mathews de Oliveira Silva realiza o sonho dele e da família. Ele é o primeiro que teve a chance fazer um curso de graduação em uma universidade federal. Para ele, que também sempre estudou em escola pública, estar na instituição representa mais que a chance de estudar.

"Eu sou o primeiro da minha família a ter acesso à educação pública, estudando em uma universidade federal. É uma situação muito motivadora, em saber que tantos igual a você estão tento a mesma oportunidade. Isso acaba motivando a gente. Acredito que a gente também seja fonte de motivação para os outros também tentarem realizar esse sonho", contou Mathews.

Investir em educação de qualidade é uma forma de garantir que esses alunos possam transformar as comunidades que estão inseridos.

"Não existe nada que quebre o ciclo de pobreza de uma maneira mais determinante do que a educação. Então, não adianta a gente tratar os desiguais como iguais. Acredito que essa reserva de vaga precisa continuar se a gente pensa em um país com mais igualdade social, um país com maior soberania, que possa dar oportunidades a todos e a todas", destacou o reitor.

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Fonte: G1 Sul de Minas e Polícias Civil e Militar

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